BA, MG, ES, AL e SP formalizam a FCMB

Representantes de 5 estados estiveram no ES para constituir a FCMB

Em encontro realizado no Sesc Guarapari (ES), entre os dias 6 e 8 de novembro de 2010, representantes da UNIMUS (Espírito Santo), COMUM (Minas Gerais), MIC (Bahia), COMUSA (Alagoas) e Cooperativa da Música (São Paulo) formalizaram a Federação das Cooperativas de Música do Brasil. Mais do que necessária à expansão das ações das singulares, a iniciativa pioneira fortalece a representatividade legal dos agentes da música no Brasil perante as esferas governamentais, empresariais e sociais do país, assim como no âmbito internacional, a partir de intercâmbios e festivais que promovam maior projeção das produções e dos atores do setor da música brasileira.

 A partir de uma perspectiva diferenciada em prol de novos modelos de negócio para os profissionais da área e de propostas para o avanço do cooperativismo no ramo da cultura, a FCMB, desde já, se constitui em instrumento único de mudança de paradigmas no mercado da música. Plataforma de criação, interlocução e intervenção no desenvolvimento de projetos e políticas culturais, se apresenta como modelo associativo ideal e ferramenta estratégica também do ponto de vista jurídico-institucional, garantidora da tão necessária e urgente congregação cooperativista do segmento.

 Diretoria e membros dos conselhos Administrativo e Fiscal da recém-constituída entidade federativa, bem como representantes das singulares afiliadas, firmam, portanto, o propósito de trabalhar em prol de interesses comuns das cooperativas afiliadas, no esforço coletivo de multiplicar ações que contribuam tanto para a formalização dos profissionais da área, quanto para a otimização do gerenciamento de carreiras. A FCMB objetiva ainda o avanço e a promoção de uma economia solidária, criativa e sustentável para a música e demais iniciativas que levem em conta os princípios cooperativistas da gestão democrática, da participação econômica com distribuição justa de capital e do fomento do cooperativismo e da intercooperação.   

 No próximo dia 7, em Belo Horizonte, um dia antes do início da Feira Música Brasil 2010, uma ação de lançamento oficial da FCMB será promovida pelas cooperativas associadas, da qual, não apenas as cooperativas de música já formadas, mas também aquelas em processo de formação estão convidadas a participar. O ato, simbólico, servirá para maximizar a visibilidade da mais nova entidade de representação nacional da música.

MIC na Feira Música Brasil 2010

Equipe de coordenação da FMB2010

A MIC (Música Inovação e Conectividade), cooperativa de música da Bahia, dá mais um importante passo em direção ao desenvolvimento e à organização do setor no estado. Depois de estar à frente, como uma das realizadoras, do projeto Rede Motiva (patrocinado pelo programa Conexão Vivo), cujo núcleo gestor contou com dois de seus dirigentes – Alessandra Pamponet e Vince de Mira –, a entidade se fortalece ainda mais na esfera nacional. Além de integrar a Federação das Cooperativas de Música do Brasil (FCMB), que tem cadeira na Rede Música Brasil juntamente com 14 entidades de representação nacional, a MIC, através de Alessandra Pamponet, presidente da entidade, participa agora das atividades e propostas da Feira Música Brasil 2010 – FMB2010, projeto conduzido pela Funarte e apoiado pelo Ministério da Cultura e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Convidada para compor a equipe de coordenadores da FMB2010, Alessandra assume a área de Capacitação, como responsável direta pelas atividades formativas que farão parte da programação do evento.

A FMB, que acontece este ano em Belo Horizonte, de 8 a 12 de dezembro, é um dos mais importantes eventos promocionais da música já realizados no Brasil e reúne artistas, empresários, produtores, selos, gravadoras, festivais e demais agentes da cadeia produtiva da música com o objetivo de fomentar negócios, intercâmbios e oportunidades para o setor da música no Brasil. Idealizada em 2006 e lançada pelo então ministro da Cultura, Gilberto Gil, a FMB foi criada para impulsionar a economia do setor, como parte do Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura (PRODEC), e conta com palestras e oficinas, painéis de debates, circuitos, estandes de exposições, rodadas de negócios e apresentações musicais, entre outras atividades para promover o segmento. Durante a terceira edição da Feira, em 2009, surgiu a Rede Música Brasil (RMB), com o objetivo de integrar diversas entidades de representação nacional presentes às discussões em torno de políticas públicas para a cultura.

O conselho gestor da Feira Música Brasil é formado atualmente por KK Mamoni, diretor executivo da FMB, Thiago Cury, representante da Funarte, e por profissionais ligados à RMB. Além de Alessandra Pamponet, os demais coordenadores da FMB2010 são Israel do Vale (Comunicação), Kuru Lima (shows e editais), Melina Hickson (relações internacionais), Decio Coutinho (rodada de negócios) e Gilberto Monte (palestras e debates).

MIC presente à oficina de capacitação do MinC

Em São Francisco do Conde, gestores aprofundam técnicas de modelagem de projetos

Diretores da MIC foram selecionados para a oficina presencial de Capacitação em Projetos Culturais que aconteceu entre os dias 28 e 30 de abril no município de São Francisco do Conde. O evento correspondeu à segunda etapa de um programa do Ministério da Cultura – em parceria com o Sesi e o Itaú Cultural – que visa promover uma melhor capacitação de gestores culturais. Durante a oficina, foram abordadas técnicas de modelagem de projetos culturais para cerca de 70 agentes do setor. Palestras sobre direito autoral e estratégias de captação de recursos também fizeram parte da programação. Durante três dias, grupos de seis agentes culturais trabalharam na elaboração de projetos a partir de vários indicativos, entre eles relevância, lógica e viabilidade técnica. A terceira etapa (módulos avançados) a ser realizada a distância, servirá para que os gestores aprofundem seus conhecimentos em Política e Gestão Cultural, Projetos Culturais, Direitos Autorais, Marketing, Negociação e Apresentação de Projetos e Economia da Cultura.

música>rede>sustentabilidade

REDE MOTIVA: música e processos colaborativos em 4 cidades da Bahia

A MIC, a Ginga P. Culture Business e a Maquinário realizam, a partir do dia 10 de maio, o REDE MOTIVA, projeto pensado para funcionar como um mecanismo articulado de ações entre diversas iniciativas de cunho artístico. Estrutura regional que integra o Conexão Vivo – iniciativa da Vivo voltada ao desenvolvimento do setor musical Brasileiro -, o REDE MOTIVA será implantado a princípio em quatro cidades baianas e prevê cinco laboratórios que culminarão em mostras de conteúdo.

Também estão previstos quatro festivais integrados que serão organizados em cada uma das cidades do circuito MOTIVA (Salvador, Juazeiro, Vitória da Conquista e  Ilhéus) para dar visibilidade aos artistas locais e potencializar as ações do projeto, mais uma iniciativa para a expansão das redes de trabalho ligádas à música no País.

A primeira etapa do projeto começa com as Semanas de Integração, voltadas para laboratórios experimentais. Serão assim constituídos quatro núcleos de trabalho que irão mobilizar cerca de 20 pessoas em cada região. As ações acontecem de 10 a 17 de maio (em Juazeiro), 18 a 22 de maio (em Vitória da Conquista) e 24 a 29 de maio (em Ilhéus). Em Salvador, as atividades ocorrem em dois bairros: Centro (de 31 de maio a 5 de junho) e Itapuã (de 7 a 12 de junho).

Os selecionados para integrar as atividades do projeto serão estimulados a construir redes de trabalho a partir de quatro eixos motivadores: ‘Formação’, ‘Produção’, ‘Criação’ e ‘Difusão e Sustentabilidade’. Desde práticas que favoreçam a capacitação e o empreendedorismo até ferramentas que auxiliem no uso favorável da tecnologia os laboratórios do REDE MOTIVA incluem  fomento ao cooperativismo, dinamização de práticas coletivas e solidárias, desenvolvimento de estratégias de difusão e intercâmbio, entre outras.

Uma mostra de conteúdos dos artistas ou grupos autogestores participantes das Semanas de Integração encerram os laboratórios e acontecerá nos palcos do projeto Conexão Vivo, como parte da programação prevista por este nas cidades do circuito MOTIVA.

Festivais

A segunda etapa do projeto consiste na seleção, via Portal Conexão Vivo, de dez artistas ou grupos autoprodutores participantes das Semanas de Integração, para quatro festivais integrados que serão organizados, um em cada região do circuito MOTIVA.

Ao final, o REDE MOTIVA irá gerar um documentário sobre todo o processo de implantação e realização dos laboratórios, mostras e festivais, além de uma coletânea com o material produzido pelos artistas ou grupos autoprodutores das cidades inseridas no circuito.

O REDE MOTIVA, que tem patrocínio do Conexão Vivo e apoio do Programa Fazcultura da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia, pretende ainda levantar dados para mensurar a movimentação financeira do evento, sob a perspectiva da  economia solidária, a partir de ações multiplicadoras, a exemplo de mídia espontânea, troca de serviços e demais contrapartidas de produção.

Acompanhe as novidades do projeto no twitter (http://twitter.com/redemotiva)  e no Facebook (Rede Motiva Projeto).

Circuito mineiro Rumos Educação Itaú Cultural

 
Este mês, em visita a Belo Horizonte (MG),  pelo programa Rumos Educação Arte e Cultura do Itaú Cultural, Alessandra Pamponet, presidente da MIC, travou contato com experiências bem-sucedidas na área educacional, cultural e artística,  cuja proposta contempla práticas coletivas e sustentáveis na área da música e da educação não-formal. “O meu maior objetivo é encontrar ações coletivas e sustentáveis que possam ser recriadas e depois aplicadas na minha atuação profissional com o foco nos projetos em que estou envolvida, principalmente na MIC”, afirmou ela.     

Alessandra foi premiada pelo programa do Itaú Cultural 2008-2010 com o desenvolvimento e a aplicação de uma metodologia de educação não-formal que promove transformação e sustentabilidade usando a música e a tecnologia como recursos no Instituto Eletrocooperativa. O Programa Rumos tem o caráter nacional e mobiliza educadores, artistas, produtores culturais, especialistas, pesquisadores e instituições, que fazem da cultura uma linguagem comum de fortalecimento da cidadania e das características múltiplas do povo brasileiro.    

Como parte deste programa, os premiados fazem viagens pelos diversos estados do país e também pelo exterior, a depender da sua classificação, em busca de projetos e práticas na área cultural que possam servir de referência para reforçar as suas ações e ampliação da sua rede de trabalho. Para a MIC, que ocupa cadeira no conselho gestor da Rede Música Bahia (RMBa), além do conhecimento de novas práticas e modelos, ela amplia o leque de parcerias  da cooperativa baiana cujo enfoque na música, inovação e conectividade mantém-se em constante diálogo com iniciativas conectadas com a sustentabilidade, a interdisciplinaridade e a coletividade.  

1ª Parada – Observatório da Diversidade Cultural    

O Observatório da Diversidade Cultural (ODC) é um programa de ação colaborativa entre gestores culturais, arte-educadores e pesquisadores. Em sintonia com a “Convenção sobre a Proteção e a Promoção da Diversidade das Expressões Culturais”, da Unesco, trabalha com a perspectiva de que a diversidade cultural não é uma característica inata da humanidade, mas uma dinâmica construída no cotidiano.
O ODC trabalha para produzir conhecimento e informação; gerar competências pedagógicas, culturais e gerenciais; incentivar pesquisas e práticas inovadoras, além de proporcionar a experimentação artística no campo da diversidade cultural – elemento estruturante de identidades coletivas abertas ao diálogo e respeito mútuos. Ações de proteção e promoção nesse campo cultural, afinadas a uma prática política que incentive o pluralismo, podem contribuir para a construção da cidadania e desenvolvimento humano. http://www.observatoriodadiversidade.org.br/    

José Marcio Barros é o coordenador do Observatório da Diversidade Cultural

  

 2ª Parada – Grupo Cultural NUC    

O Grupo Cultural NUC é ação e inovação. Jovens assumindo a frente do trabalho, construindo o futuro, transformando o presente, valorizando e aprendendo com o passado. Criado na comunidade do Alto Vera Cruz, região leste de Belo Horizonte, o Grupo Cultural NUC tem a arte, a cultura negra, a tecnologia e o hip hop como princípios. Inspirados nesses conceitos são realizados projetos e desenvolvidas áreas voltadas para jovens, adultos e grupos artístico-culturais da periferia de Minas Gerais. O processo é de dentro pra fora. Desde 2003 o GC NUC realiza em sua sede palestras, debates, exibição de videos e documentários, oferece shows artísticos, acesso à internet e informações sobre arte e cultura. O espaço é aberto à comunidade e centenas de pessoas são contempladas pelo trabalho da ONG. Os projetos são desenvolvidos seguindo a proposta dos programas orientadores da instituição: formação cultural, difusão e circulação de bens-culturais e comunicação integrada. Se hoje em dia o contexto é desfavorável e as desigualdades sociais se mantêm, parada é que a juventude da periferia de Belo Horizonte não fica. O Grupo Cultural NUC está nesse contexto e vem fazendo a sua parte. É por isso que desde o início esse trabalho artístico-social se destaca no cenário mineiro e nacional.  http://www.grupoculturalnuc.org.br/site/    

O Renegado é o presidente fundador do Grupo Cultural NUC

  

3ª Parada – Cria! Cultura 

A Cria! Cultura atua na produção de projetos culturais há 10 anos, em prol do desenvolvimento da cena cultural de Minas e do País. A iniciativa realiza desde a elaboração até a captação de recursos e produção de projetos culturais que beneficiam a carreira de vários artistas. A Cria! Cultura participou da concepção, realização e produção de grandes  projetos, entre eles, o Conexão Telemig Celular, o Programa de Desenvolvimento Sóciocultural do Vale do Jequitinhonha, o Fiat Mostra Brasil, o Na Ponta da Língua, o Festivelhas Manuelzão e o Seminário Música e Movimento, entre outros. http://www.overmundo.com.br/perfis/cria-cultura

 

Maurílio 'Kuru' Lima, diretor da Cria! Cultura

4ª Parada – SIM – Sociedade Independente da Música
O que quer dizer SIM, além de termo que “exprime afirmação”, segundo o Aurélio? SIM é a sigla para Sociedade Independente da Música, uma entidade recém-criada por músicos, compositores, produtores, jornalistas culturais e outros militantes do cenário independente da música produzida em Minas Gerais. E para explicar com que finalidade a SIM surgiu, o melhor mesmo é voltarmos ao Aurélio.

A fatia que a música independente ocupa, atualmente, responde por mais da metade do bolo do mercado fonográfico brasileiro. Esse universo deixou de ser a via alternativa para os artistas que não logravam inserção no circuito das grandes gravadoras. A produção independente atingiu proporções que lhe garantem autonomia, vida própria e oficial no contexto musical do país.     

Pois bem, SIM é a afirmação desse fato, dessa nova conjuntura em que a intenção genuinamente artística vale mais que o marketing. Mas a consolidação dessa nova realidade também implica dizer SIM para a necessidade de se buscar canais alternativos de financiamento para a área musical, lutar por relações mais justas entre os elos da cadeia produtiva da música, desenvolver pesquisas, estudos e programas sobre música e defender a pluralidade de expressões nos meios de comunicação social, além de outras demandas colocadas entre os objetivos da Sociedade Independente da Música. http://www.eudigosim.com.br/blog/     

    

Vitor Santana, diretor de articulação da SIM

    

5ª Parada – Cooperativa da Música de Minas (Comum) e Fórum da Música de Minas (FMM)   

 
À mesa, membros do Fórum da Música de Minas, da esq. à dir., entre outros, Vitor Santana (de verde), Kuru Lima (de preto) e Makely Ka (na ponta), traçando as diretrizes da entidade. Alessandra (ao centro), em busca de conteúdo para ser aplicado à MIC e à Rede Música Bahia

    

Em café da manhã, encontro com os também premiados pelo Itaú Cultural Maria Eugênia e Renato Negrão

    

    

Imersão Conexão Vivo 2010

Entre os dias 3 e 5/03, os representantes da MIC, Alessandra Pamponet e Vince Athayde, respectivamente presidente e diretor técnico-artístico da entidade, participaram da Imersão preparatória do projeto Conexão Vivo 2010. O encontro aconteceu em Minas Gerais, no município de Macacos, a cerca de 20 quilômetros de BH. Os parceiros do programa se reuniram com a diretoria da Vivo e mais alguns colaboradores desta instituição com o objetivo de estreitar os laços para fortalecer a atuação coletiva proposta pelo programa, além de ser uma oportunidade para implantar melhorias nos processos. Bahia, Pará, Pernambuco e Espírito Santo foram os estados contemplados na 1ª etapa 2010 do Conexão Vivo. Vince e Alessandra (assim como Eric Taller, da Ginga P.) são representantes do REDE MOTIVA, um dos projetos estruturantes do programa e que tem como objetivo geral formar rede(s) de trabalho entre coletivos de artistas, principalmente da área de música, partindo de estímulos voltados para a articulação, o planejamento e a inovação, capazes de promover formas criativas de sustentabilidade para os trabalhos artísticos.

Da esq para a dir., Vince, Rita (do marketing Conexão Vivo BA/SE), os diretores Marcos Barreto e Kuru Lima (este responsável geral do Conexão Vivo), Alessandra e Eduardo Valente

Piti Canella, representante do Conexão Vivo na Bahia, e Alessandra

 

Da esq.: Vince (MIC), Pablo Capilé (Fora do Eixo), Alessandra (MIC) e Marcel (Festival Se Rasgum - PA)

 

Alexandre Lima e Gustavo Macaco, da cooperativa de Música do Espírito Santo (Unimus), Vince, o músico Marku Ribas e Alessandra

MIC no Seminário Economia da Música

No Sebrae agentes da cadeia produtiva da música discutem a economia do setor

Representantes de diversas entidades vinculadas à economia da música estiveram presentes ao seminário realizado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e pelo Sebrae-Ba para discutir novos modelos de negócio para o setor. O evento, que ocorreu dias 26 e 27 de fevereiro no Auditório do Sebrae, contou com a presença maciça de vários representantes da classe que debateram temas ligados à política cultural do País, além de perspectivas de desenvolvimento da indústria musical brasileira. Na ocasião, também foram apresentadas estatísticas de mercado e análise de casos, a exemplo do movimento cultural da Lapa (Rio de Janeiro), do Tecnobrega (Pará) e da Axé Music (Bahia).

À mesa de abertura estiveram Cacá Machado (Funarte), Marcio Meirelles (Secult) e Edival Passos (Sebrae). Machado falou sobre a importância do tema economia estar incorporado ao MinC através do Prodec (Programa de Desenvolvimento da Economia da Cultura) e da iniciativa de implantação do Pensa Música Brasil, projeto de estudo da cadeia produtiva da música.  Ele salientou que é preciso uma macrointerpretação da cultura a partir da interface de vários campos interpretativos da área acadêmica, como Direito (Direitos Autorais), Economia (produtos, insumos), Antropologia, Sociologia (visão mais humanista da cadeia) etc. Também desmistificou a ideia de que a grande indústria não precisa de políticas públicas. “A grande indústria depende de políticas púlblicas, sim, todas as esferas da economia”.

O secretário estadual de Cultura, Márcio Meirelles, salientou, ao se referir à atuação do ex-ministro Gilberto Gil, que “foi preciso que um artista transformasse a cultura numa questão de Estado” para despertar novos olhares em torno do setor. Ele destacou ainda o apoio de instituições como Sebrae e Desenbahia às iniciativas em prol do crescimento econômico da cadeia da música. “É preciso que a sociedade civil se organize rápido para responder ao Estado”, disse ao destacar a importância da construção da Lei Orgânica da Cultura para regulamentar o setor. Durante a mesa foi abordada ainda a necessidade de mudanças no regime de tributação para o setor. Foi lembrado que, no final da década de 70, a isenção fiscal do ICMS para a música produzida no Brasil resultou em um significativo aumento da produção.

A mesa seguinte contou com a presença de KK Mamoni (Abeart), Pablo Capilé (Fora do Eixo) e Marcelo Pessoa (RedeSist/ UFRJ e UFF) . Foram apresentados estudos acerca do mercado da música independente e levantada a questão da regulação da venda de fonogramas na internet. Capilé apontou a problemática da mensuração das pesquisas sobre os modelos de negócio do setor, que tendem a valorizar o intermediário. Ele frisou a necessidade de mudança de parâmetros para se chegar próximo de um parecer mais realista. Destacou ainda o trabalho das redes organizadas que se baseiam na maioria das vezes na economia solidária e movimentam o setor, mas, tratadas sob a perspectiva da informalidade, não são levadas em consideração nas pesquisas econômicas.  E deu como exemplo os coletivos, os fóruns, os festivais e as cooperativas da música, como a MIC, na Bahia.

Em diferentes ocasiões, durante o seminário, foi discutido o tratamento errôneo dado ao fenômeno da pirataria, em geral, visto como caso de polícia e não como problema social e que implica mudança de valores e paradigmas. O segundo dia contou com apresentação de alguns modelos de negócio, a exemplo da Lapa carioca. Micael Herschmann (UFRJ), autor do livro Lapa: Cidade da Música, abordou os efeitos de um movimento que cresceu numa região do Rio de Janeiro por iniciativa da população local e com pouco apoio do Estado.  Sua pesquisa aponta que, com o passar do tempo, a região atraiu a atenção de grandes empresários que passaram a investir na área, porém, com menos comprometimento com a cultura local, o que resultou na descaracterização da dimensão espontânea das manifestações que transformou a região em zona turística.

Oona Castro, do Instituto Overmundo, trouxe para a mesa outro estudo de caso, dessa vez o Tecnobrega paraense. Destacou como a ausência de um mercado formal gerou uma forma eficiente de se produzir e distribuir CDs. Abordado como um mercado de bens culturais diferenciados, o tecnobrega fez surgir, além das chamadas festas de aparelhagem, a figura do DJ de estúdio, agente que faz suas próprias coletâneas que são distribuídas e vendidas nos camelôs da cidade. “Não dá pra pensar economia da música levando-se em consideração apenas o mercado formal”, disse.  Para ratificar a importância de se rever conceitos como legalidade/ ilegalidade e formalidade/ informalidade dentro do universo da cultura colaborativa, foram também apresentados trechos do documentário Good Copy Bad Copy. “A inovação, salvo se tem uma política de estado inovadora, vem antes da regulação e da autorização para que seja feita”, concluiu.

O útlimo estudo de caso foi referente à axé music. Armando Castro (Ufba e UCSal) falou sobre a organização da produção musical soteropolitana com foco no bem-sucedido gênero carnavalesco axé music que, através de shows ao longo do ano, retroalimentam a indústria do carnaval. Castro observou que o movimento provocou a descentralização da produção fonográfica  e gerou receita, na Bahia, para a Bahia. Além disso, os artistas baianos romperam a lógica do eixo Rio/SP  ao criarem suas próprias produtoras e editoras, desvinculando-se das empresas transnacionais, o que provocou o empoderamento do mercado local.